Explosão de caldeira mata trabalhadores em Andradina

Um dos três trabalhadores mortos na explosão do cilindro de vapor de uma caldeira da indústria Citroplast, anteontem à noite, em Andradina – André Carneiro, de 43 anos -, foi retirado de escombros do setor onde a máquina funcionava, no início da noite desta sexta-feira. Bombeiros, técnicos em segurança do trabalho e peritos da Polícia Civil trabalharam no galpão da indústria durante todo o dia. Um dos mortos foi enterrado ontem à tarde no cemitério da cidade e os demais estão previstos para a tarde de hoje.

Uma empresa de Rio Preto, especializada em içamento de maquinário pesado, foi contratada para a remoção de peças da caldeira, ferragem retorcida, partes de paredes e do telhado, que caíram. Um guindaste com capacidade para 300 toneladas foi levado ao local. Não há uma previsão de quando o trabalho será concluído.

Ontem, a fábrica que tem 600 empregados não funcionou com toda a capacidade instalada e apenas um setor de fabricação de papel operou no período da tarde. Dezenas de caminhões aguardam no pátio da fábrica para carga e descarga.

O advogado da empresa, Geraldo Shiomi, disse que serão tomadas “as providências necessárias” para que os empregados retornem ao trabalho em segurança. Sindicalistas dos trabalhadores estiveram ontem na fábrica em busca de documentos sobre a manutenção do maquinário. “A meu ver está tudo em ordem”, disse o presidente do sindicato da categoria, José Carlos Pinheiro.

Shiomi disse, ainda, que é interesse da empresa prestar esclarecimentos à polícia, ao Ministério do Trabalho, sindicato dos empregados e às famílias deles sobre o ocorreu.

A EXPLOSÃO

O cilindro explodiu por volta das 22h20, pouco depois do fim de turno dos trabalhadores do setor. No local estavam apenas os que morreram – um deles, encarregado da área de fabricação de papel e papelão. Outros dois empregados entraram em estado de choque, foram medicados no pronto-socorro da cidade e liberados no início da madrugada.

O gerente-geral da fábrica, Marco Antônio Nacfur, disse que os trabalhadores foram orientados a deixar o local logo após a explosão. O porteiro da fábrica, Roberto Carlos dos Santos, 44, disse que sentiu “muito medo” após ouvir o estrondo. “Quem não sente medo numa hora dessas? Eu senti o chão tremer”, disse.

A direção da indústria anunciou que prestou toda a assistência às famílias das vítimas. “Nossa preocupação, agora, é socorrer as pessoas que se feriram e assistir às famílias dos companheiros que morreram”, disse Nacfur.

O delegado Raoni Spetic da Silva, que abriu inquérito para apurar as mortes, disse acreditar que Carneiro pode ter tentado voltar ao equipamento que falhou para tentar evitar a explosão. “Como ele era encarregado do setor, é possível que tivesse maior conhecimento do maquinário e tenha tentado evitar a explosão. Também por isso seu corpo esteja em um ponto de difícil acesso, no galpão”, disse.

“Meu coração está despedaçado”, diz mulher de trabalhador

Rosângela Carneiro, mulher de André Carneiro, de 43 anos – encarregado do setor onde houve a explosão e último retirado dos escombros – foi à fábrica, que fica na rodovia Euclides de Oliveira Figueiredo (Integração), no final da tarde de ontem. “Eu vim aqui porque quero saber mais o que está acontecendo. [Meu] coração está despedaçado porque ele [André] está lá [nos escombros]”, disse, antes do resgate.

Abalada, ela contou que familiares do marido também queriam mais informações. “A mãe dele não sabe como aguentar isso tudo. A gente nem sabe o que dizer”, revelou. O casal não tem filhos.

No funeral de Claudinei Antunes Ventura, de 35 anos, e de Diego Rodrigues da Silva, de 24, estavam inconformados. “Oh, meu Deus! Como isso foi acontecer com ele? Ele queria sair da fábrica, mas acabou não dando tempo”, revelou a mãe de Claudinei, Alvina da Silva. A prima Francisca Pereira disse que o trabalhador era “correto e boa pessoa”.

O porteiro da empresa Roberto Carlos dos Santos disse que “impossível não gostar deles”, em referência aos colegas que morreram. O corpo de Claudinei foi enterrado no início da noite de ontem, e o enterro de Diego está previsto para a manhã de hoje.

Logo após a explosão, dezenas de pessoas, principalmente parentes e amigos, foram ao local. “Eu quero saber o que aconteceu porque o Claudinei é meu vizinho”, disse Laudelino Alves, de 49 anos. Ao falar, se emocionou e disse que não teria coragem de ver o corpo do amigo.

Morte-na-Citroplast

Da Redação, Valdecir Cremon – Andradina/SP

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