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postado em 15/04/2017 às 17h40min

ATLETISMO - Gaúcho se tornou atleta por acaso e um imprevisto o fez ficar em Araçatuba

ANTÔNIO SOARES DOS REIS - ARAÇATUBA
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Reprodução
Gaúcho (o terceiro a partir da esquerda) em foto de 1958, quando disputou um Sul-Americano de Atletismo

 O aposentado Luiz Marcelino Corrêa, o Gaúcho, de 84 anos, se tornou atleta por acaso. Ele admite um bocado de sorte na trajetória, que o levou ao Rio de Janeiro e depois o trouxe a Araçatuba, em 1964. Aos 16 anos se tornou atleta do poderoso Sogipa (Sociedade de Ginástica de Porto Alegre-RS), mas sua vontade mesmo era apenas "penetrar" no clube para estar entre as moças da alta sociedade porto-alegrense. Arremessador do dardo, "sapecava" no martelo e no disco apenas contribuía para somar pontos para a equipe.
Nascido em Mostardas (RS), aos 16 anos Max morava com a família em Porto Alegre e seu sonho era frequentar as festas do Sogipa, onde os jovens "de boa família" iniciavam namoro. Para frequentar o local, era necessário ser sócio e "ter carteirinha". Certo dia, Max foi levado ao clube por um amigo associado e se fez passar por atleta. Sem convencer a ninguém, mas impressionando pelo avantajado porte físico, foi apresentado a um professor alemão responsável pelo atletismo do clube.
O alemão apresentou o dardo ao jovem, que arremessou a uma distância de 55 metros, considerada muito boa pelo instrutor, que o inscreveu na competição denominada "Dia do Atleta Desconhecido". O bom desempenho levou o jovem arremessador do dardo ao Troféu Brasil, no Clube Pinheiros, em São Paulo. Na competição nacional, Max passou a ser chamado de Gaúcho, que arremessou 61 metros (marca arredondada porque ele não se recorda dos centímetros), foi campeão, foi recebido na Sogipa como herói, foi manchete de jornal e, enfim, conquistou o reconhecimento das "gatas", como ainda hoje chama as bonitas gaúchas de sua adolescência.
Algum tempo depois, o jovem foi escolhido para uma disputa interna do Sogipa, a "Competição de Estreantes". No entanto, ele ainda não tinha convicção de que queria ser atleta. Queria mesmo era a "carteirinha" para frequentar as festas do clube. Na Competição de Estreantes, foi medalha de ouro no arremesso do dardo e do martelo. Na plateia estava o brigadeiro Luiz Lessa, um ilustre torcedor do Clube de Regatas do Flamengo, do Rio de Janeiro.
O militar convidou Gaúcho para se transferir para o clube carioca. Na época, o paraquedismo despertava o interesse do jovem, a ponto de se alistar como voluntário para servir à Aeronáutica. O brigadeiro Luiz Lessa o convenceu a ir para o Rio, onde serviu como militar voluntário e também disputava competições pelo Flamengo. Dois anos depois, Gaúcho deu baixa no Serviço Militar. Representando o clube Rubro-Negro, foi pentacampeão estadual (1954 a 58) e também ganhou várias edições do Troféu Brasil com o arremesso do dardo e do martelo. Em competições internacionais, foi medalha de bronze em Sul-Americanos de Atletismo disputados na Argentina e Uruguai.
Reconhecido como atleta, ele tinha amigos influentes, inclusive próximos do presidente João Goulart, deposto pelo golpe militar de 31 de março de 1964, que jogou o Brasil numa ditadura que durou 21 anos. Assim que o governo caiu, o atleta foi aconselhado a deixar o Rio. Gaúcho viajou para São Paulo apenas com a roupa do corpo. Na capital paulista, comprou passagem para Três Lagoas com o objetivo de chegar ao Paraguai em busca de refúgio.
O ônibus que ia para Três Lagoas fez parada em Araçatuba e Gaúcho desceu para um cafezinho. Na rodoviária, à época no cotovelo da 15 de Novembro (entre as Ruas Tupi e General Glicério), estavam Anubes Ferraz da Silva, velocista que conhecera no Rio de Janeiro como atleta do Vasco da Gama, e Sylvio José Venturoli, que cumpria o primeiro ano do mandato de prefeito eleito. Os dois convenceram Gaúcho a ficar em Araçatuba e a competir pela cidade. Em Araçatuba, ele reencontrou outro atleta dos tempos do Rio: José dos Santos Primo, companheiro de Anubes no Vasco.
Venturoli arrumou trabalho para o recém-chegado na prefeitura e "moradia" debaixo das arquibancadas do estádio Adhemar de Barros. "Morei por um ano debaixo das arquibancadas", recorda o arremessador do dardo. Na época disputou, e conquistou medalhas, em Jogos Abertos do Interior, Jogos Noroestinos (atual Jogos Regionais) e Troféu Bandeirantes (antiga competição organizada pelo governo do Estado).
Depois de um ano trabalhando na prefeitura, competindo pelo município e morando no estádio, Gaúcho foi trabalhar nas obras de construção da Cagesp (atual Ceagesp) e em seguida se tornou funcionário da estatal paulista, chegando a gerente regional operacional, aposentando-se em 1992. Durante o tempo em que trabalhou na estatal, sempre foi liberado para competir por Araçatuba. Sua última participação foi nos Jogos Regionais de 1993.
O arremesso do dardo foi a principal modalidade de Gaúcho, apesar de ter sido muito bom também com martelo. O arremesso do disco, só para ajudar a equipe a pontuar. Ele diz que sua melhor marca com o dardo foi 63,94 metros, em 1962, quando atleta do Flamengo. A competição que guarda na memória é o "Dia do Atleta Desconhecido", quando tudo começou. A maior frustração: não ter se classificado para os Jogos Luso-Brasileiros, em Lisboa (Portugal), em 1962, apesar de ser favorito. Ele foi mal na eliminatória porque na véspera preferiu passar a noite com uma bela moça. "Era uma gata fora de série. Não dava pra perder", arremata Gaúcho.




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